P. DE OLIVEIRA

Semente de Mãe Natureza

Há tempos venho pensando muito sobre a maternidade, sobre a palavra mãe, mama, mom, mami... nesses devaneios me deparei com "sy", palavra que significa origem e mãe em Tupi antigo, e com a palavra "sy'yra", semente de mãe, também usada para madrasta. ser semente é semear. semear o futuro com sementes mais nutritivas.

 

Nesse dia das mães quero falar sobre criação, sobre ser criador e cria. Sobre a quantidade de mães que perdemos esse ano que passou. E sobre as tantas sementes de mães que não são reconhecidas pelo dia de hoje. 

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Talvez se todos nós pensássemos mais como mães não estaríamos perdendo tantos de nossos filhos, tantas de nossas mães.

Talvez se todo mundo fosse um pouco mais mãe trataríamos nossos semelhante com mais respeito, com irmandade.

Talvez se o ser humano deixasse germinar essa semente, entenderia que para os olhos de uma mãe todas as suas crias são iguais.

 

Eu sou mãe. Mãe de três. Mãe que sabe que é mãe, mas que para os olhos do mundo não existe.

A maternidade não tem gênero. Nem toda mãe pari, nem toda mãe é mulher. Somos todos criados mas nem todos criamos. 

A Raça humana está se auto-destruindo. Em meio a uma pandemia os poucos corpos sobreviventes são alvos de ódio e opressão. Não adianta tentar negar a realidade que vivemos no mundo hoje. A irresponsabilidade de alguns está custando a vida de muitos. Me dói pensar na quantidade de crias que perdemos e continuamos perdendo por impunidade, ódio, ignorância, e ganância. 

Por que negamos tanto nossas raízes? Por que negamos o fato de que precisamos da terra para viver? Nosso planeta já foi e ainda pode ser inóspito pra a raça humana. Solo infértil e plastificado não traz nutrição, não traz crescimento, não tem futuro.

 

O ser humano se perdeu, o ser humano virou número, estatística, vírus do seu próprio planeta. A mesma mãe natureza que nos nutriu e nos criou agora é estranha à nós... É esquecida,  mal apreciada, ignorada e agora estamos sugando a última gota de sangue que nos nutre.

Está na hora do ser humano plantar em si essa semente de mãe, de entender que todos somos mães do mundo que nos rodeia, e das pessoas que nele habitam.

Precisamos cuidar mais uns dos outros com coração de mãe.

P. de Oliveira

 

 

Fotos: H. Espinal

P de Oliveira é uma Artista brasileira  indisciplinar baseada em Nova Iorque desde 2010. 

Por recentemente retornar as suas raizes e a seu nome de nascença, Patricia está reconstruindo e replantando alguns projetos para o novo site.

 

Seus Trabalhos antigos, como Patrícia Faolli ainda podem ser acessados através dos links abaixo: